04 de Novembro, 11:23

Casos de tuberculoses diminuem em 20% em uma década



Conscientização é fundamental para evitar propagação da doença

Em 17 de novembro é comemorado o Dia Nacional do Combate a Tuberculose. São 9 milhões de casos em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que estima aproximadamente três milhões de casos sem diagnóstico e por isso não são tratados.

Causada pelo Bacilo de Koch, um terço da população está infectada, mas apenas 10% evoluem para a doença – desse total, 95% dos registros são de países em desenvolvimento. A doença é de fácil transmissão, pela tosse, fala e espirro. Por isso, calcula-se que cada doente possa infectar outras dez.

Segundo o presidente Sub-Comissão de Tuberculose da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), Jorge Barros Afiune, o paciente só pode transmitir a tuberculose se estiver com a doença pulmonar em atividade. Manifestações em outras áreas do corpo, como ossos, rins e meninges, não são transmissíveis.

A maior parte dos pacientes tuberculosos tem entre 15 e 39 anos, faixa etária mais produtiva da sociedade. A aglomeração, principalmente em ambientes fechados, facilita a propagação da bactéria pelo ar. “Vale ressaltar que os homens adoecem em proporção 1,5 vezes maior do que as mulheres. Para tentar explicar esse fato existem diversas teorias e uma delas é referente ao fator hormonal feminino, que as protegem da doença, mas também a maior exposição dos homens ao contágio”, informa dr. Jorge.

Para o dr. Afiune, a conscientização é fundamental. “A população precisa conhecer a doença, sintomas e riscos. Quando ela conhece e começa a apresentar sintomas sugestivos, procura uma unidade de saúde mais rapidamente”, alerta.

Grupos de risco

Em dez anos, os casos de tuberculose no Brasil caíram 20,3%. Apesar da queda expressiva, ainda ocupa a 16ª posição entre os 22 países com maior taxa de tuberculose, que respondem por 80% dos pacientes em todo o mundo. A doença está diretamente relacionada à falta de informação e a desigualdade social.

“Diversos fatores levam à infecção e o principal deles são as moradias precárias, como favelas e cortiços, que favorecem a transmissão da bactéria. O que favorece o adoecimento são a desnutrição e as condições individuais do sistema imunológico”, explica o dr. Jorge.

O pneumologista destaca, também, que nas prisões o índice de tuberculosos é muito alto devido à aglomeração das pessoas com imunidade baixa, pelo uso de drogas, desnutrição ou HIV.
O risco da população carcerária de desenvolver tuberculose é 28 vezes maior se comparado com a população geral. Fica abaixo apenas das pessoas soro positivas para o HIV, com 35 vezes mais chance. Outro grupo de risco é o povo indígena, com três vezes mais possibilidade de casos.

A África do Sul possui a maior incidência de tuberculose do mundo, com 80% da sua população portadora do bacilo. Nos últimos 15 anos, o número de doentes no país quadriplicou.

Tuberculose é a principal causa de morte por doenças infeccionas em pessoas com HIV e AIDS.

Vacina BCG

Preconizada pelo Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, a a vacina contra tuberculose (BCG) integra o calendário nacional de vacinação. Quando não aplicada na maternidade, é obrigatória para os menores de um ano e indicada até os quatro anos de idade.

Sua função é proteger crianças e jovens adultos das formas mais graves da doença. Crianças soro positivo que apresentam os sintomas não podem receber a vacina. Recomenda-se, também, adiar a vacinação em recém-nascidos com peso inferior a dois quilos.

Tratamento Assistido

Em todo território nacional, está disponível o tratamento supervisionado – estratégia de controle da doença, recomendada pela OMS. Segundo dr. Afiune, é uma garantia de que o paciente faz uso da medicação corretamente. Apesar de positivo, ainda apresenta problemas. “Por exemplo, o paciente só pode ir à unidade de saúde no horário comercial, mas para ele ir todos os dias, precisa faltar no trabalho. Esse é um ponto do programa que precisa de aprimoramento”, diz o pneumologista.

É importante ressaltar que os remédios são oferecidos gratuitamente pelo SUS. O Ministério da Saúde, anualmente, investe cerca de R$ 23 milhões em ações de controle da doença. Entre as medidas adotadas estão divulgação de informações, rastreamento de doentes, diagnóstico precoce, além do acompanhamento clínico e garantia de medicamentos.

O tratamento assistido é fator importante na redução da taxa de abandono do tratamento. “Uma das consequências mais nefastas desse abandono é o desenvolvimento de formas resistentes dessa bactéria. Quando o tratamento é interrompido, a doença ressurge, mas com bacilos resistentes ao remédio. Com isso, o esquema de medicamentos precisa ser alterado para um mais complexo e por dezoito meses, diferentemente dos seis meses do primeiro tratamento indicado”, conclui o médico.



 

Texto: Acontece Comunicação e Notícias

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